Nosso Roteiro: Jalapão em 5 dias

Aproveitamos o feriado do Carnaval e partimos de carro para o Jalapão, saindo de Brasília. O roteiro todo, contando com o tempo de estrada, foi de cinco dias. Para ficar perfeito, melhor se fossem 6 dias para fazer o passeio circular, começando por Ponte Alta e terminando em São Félix. Se for de avião e fizer um bom planejamento dos deslocamentos, talvez os 5 dias sejam suficientes.

Dia 1

O primeiro dia, que foi a sexta-feira que antecedeu ao carnaval, foi todo gasto com a viagem de ida.

Contamos a nossa saga detalhada de carro de Brasília ao Jalapão neste post aqui.

Dia 2

Nesse segundo dia, fizemos os passeios mais próximos à Ponte Alta: Cachoeira da Fumaça, banho no Rio Soninho, Cachoeira do Soninho e Pedra Furada. Começamos pelo final, a atração mais distante, que era a Cachoeira da Fumaça (90 km – sendo 20km de asfalto e 70km de estrada de chão ruim) e depois fomos voltando e parando nos outros pontos. A Pedra Furada fica mais próxima da cidade, a 27km.

A Cachoeira da Fumaça (11°9’22″S 47°0’41″W) é impressionante. Tem 40 metros de queda. É tão alta que a água que cai forma uma névoa parecida com fumaça, daí o nome da cachoeira. Até bem pouco tempo era possível descer e passar por trás da queda, mas já proibiram o acesso devido a degradação da mata ao redor.

Mosaico com imagens da Cachoeira da Fumaça no Jalapão

Ao lado, há um local bom para banho que fica cheio de gente fazendo churrasco e curtindo o Rio das Balsas. Mas, segundo o guia, todo o cuidado é pouco. A correnteza é forte. Há uma ponte condenada por cima desse rio, em situação precária e não tem uma placa avisando do perigo. Do lado de lá, não há mais nenhuma atração, então estacione do lado de cá da ponte e evite transtorno.

Ponte em péssimas condições sobre o Rio das Balsas - Cachoeira da Fumaça - Jalapão

Rio Soninho (11°1’34″S 47°8’14″W) é o local ideal para um banho tranquilo e para fazer um lanchinho, piquenique ou mesmo o almoço. Tem vários trechos rasos, inclusive para ficar deitado na água.

Rio Soninho no Jalapão

A Cachoeira do Rio Soninho (11°1’38″S 47°8’30″W) fica uns 5km antes e o carro não chega ao lado. Você deixa na estrada e desce um pouco a estradinha (uns 300m). Não tem placas sinalizando, por isso digo que é bom ter a companhia de um guia. Na cachoeira mesmo não é possível tomar banho, mas você desce um pouco na mata (não tem um caminho muito claro) e tem um poço legal para banho.

Cachoeira do Rio Soninho

A Pedra Furada (10°52’34″S 47°23’8″W) foi a última atração do dia. O lugar é lindo e, do alto, você tem uma visão panorâmica da região. É tradicionalmente um passeio para se fazer no fim do dia, para assistir ao pôr do sol. Mas chegamos alí bem mais cedo, evitando o horário das excursões de agências. Fica a dica! Estávamos exaustos e só apreciamos a vista, tiramos várias fotos e descansamos na sombra da pedra. Voltamos para Ponte Alta e jantamos no Espeto do Belêco, que tem boa comida e preço justo.

Mosaico com imagens da Pedra Furada no JalapãoObservando a Paisagem do alto da Pedra Furada no Jalapão

Dia 3

No terceiro dia, já fizemos o check out em Ponte Alta e pegamos o caminho para Mateiros, fazendo as atrações do caminho. A primeira seria o Cânion de Sussuapara, mas como enrolamos um pouco para sair, o guia sugeriu que deixássemos essa atração para a volta, pois se a gente atrasasse, perderia o grande espetáculo do dia, o pôr do sol nas Dunas.

Então a primeira atração foi a Cachoeira do Lajeado (10°39’14.4″S+47°17’02.8″W), mais uma que se não fosse com guia, não teria coragem de chegar tão longe. Dá para descer pela própria cachoeira, mas tem que saber bem onde pisar e ter muuito cuidado. Lá embaixo tem um poço que lembram os Cenotes do México. Ficamos alí um bom tempo aproveitando a água e a sombra do local.

Vista da Cachoeira do Lajeado no JalapãoPoço de banho da Cachoeira do Lajeado no Jalapão

Dalí seguimos para a Prainha do Rio Novo (10°15’40″S 46°53’2″W). É um lugar lindo, com uma grande faixa de areia e um rio que parece tranquilo, mas tem correnteza forte. É um bom local para o almoço ou piquenique. Sempre passávamos no supermercado antes de sair da cidade, comprávamos bebidas, algumas frutas e lanches. Colocávamos tudo em uma caixa térmica que o guia nos emprestou (mas que você já pode levar a sua). Com isso tínhamos lanche fresco o dia todo.

Prainha do Rio Novo no Jalapão

Pertinho da Prainha fica a Cachoeira da Velha (10°16’12″S 46°52’53″W) que é enorme, magnífica. Como ela já está oficialmente dentro do Parque Estadual do Jalapão, a infraestrutura para chegar até ela é mantida pelo governo do estado e está muito bem conservada. Existe uma passarela suspensa de madeira, que te proporciona uma visão por cima, e ainda também te leva até a água. O mais impressionante dessa cachoeira é o chapadão que tem atrás. O cenário é encantador.

Cachoeira da Velha no JalapãoChapadão visto do alto da Cachoeira da Velha no Jalapão

Depois da cachoeira seguimos para as famosas Dunas do Jalapão (10°34’2″S 46°39’51″W). É a única atração que você vê fiscalização, orientação e um trabalho real de conscientização. Na portaria eles pedem a colaboração de R$ 5 por carro, mas a taxa não é obrigatória. Paga quem puder. É bom chegar cedo, porque todo mundo chega junto, vira tumulto e é complicado para estacionar. Nossa dica: deixe o carro estacionado de ré e já virado para a estrada, eliminando qualquer chance de alguém estacionar fechando a sua passagem.

Esse é o passeio mais tradicional. Para andar na areia é melhor ir descalço. Nesse horário a areia já está fresca. A duna não é tão grande e pode desapontar quem já conheceu desertos maiores. Mas é linda e vale muito a pena conhecer. Tem uma cor única, alaranjada, que contrasta com o verde da Serra do Espírito Santo, ao fundo. A combinação “Dunas + Serra do Espírito Santo + Fim de tarde” rende excelentes fotos.

As Dunas do Jalapão com a Serra do Espírito Santo ao fundoTuristas nas Dunas do JalapãoCriança correndo pelas Dunas do Jalapão

Das dunas seguimos para Mateiros. Confesso que eu já estava muuuuuuito cansada da estrada que consegue ser pior do que a dos dias anteriores. Das Dunas até Mateiros são mais 37km, mas ao todo, havíamos percorrido cerca de 200km em estrada de chão em péssimas condições. O cansaço é inevitável.

Estradas arenosas no Jalapão

Jantamos em Mateiros no Rancho 21 (10°33’4″S 46°26’15″W), que é dos mesmos proprietários do camping onde ficamos hospedados, o Recanto do Salto. Comida caseira e de excelente qualidade. É necessário fazer reserva com o Sr. Rosimar pelos telefones 63-99968 5333/99994 0021/99956 1049/99992 0021.

Ao sairmos do restaurante o Sr. Rosimar nos alertou sobre um atoleiro, já  na chegada do camping. Já tínhamos passado por tantos trechos difíceis que confiamos na valentia da nossa caminhonete. Mas até ela se rendeu ao fim do dia e atolou. Lembra da nossa recomendação nos posts anteriores de ir somente com um 4×4?

Jalapão - Vá de 4x4

Como estávamos com o nosso guia Oziel (lembra também da nossa recomendação de ir com guia?), mesmo no completo breu ele sabia onde estava o camping. Caminhamos por alguns minutos com as lanternas dos celulares e conseguimos chegar. Lá o Oziel pediu ajuda a outro guia, que com outra caminhonete e um cabo de aço, conseguiu tirar a nossa do atoleiro.

Dia 4

Dormimos bem cansados e no quarto dia os passeios foram mais leves. Chegamos cedo no Fervedouro do Ceiça (10°22’20.4″S 46°31’29.4″W), um dos mais tradicionais. A ideia era chegar antes do tumulto. Até conseguimos, mas logo na entrada um grupo de ciclistas mal educados quase nos atropelaram e se enfiaram na nossa frente, mesmo com os avisos expressos de que não era permitido entrar com bicicletas no local.

Pagamos R$ 10 por pessoa para entrar no fervedouro e, devido ao revezamento, só pudemos aproveitar 20 minutos dentro do poço. Entram 6 pessoas por vez. O fervedouro é algo impressionante. São nascentes que brotam na areia clara. A pressão é forte e provoca o chamado “fenômeno da ressurgência”, que te empurra para cima e impede que você afunde. É uma sensação bem gostosa, mas você sai de lá cheio de areia, até dentro da roupa de banho. 😛

 O Fervedouro do Ceiça no Jalapão

Dalí partimos para o Encontro das Águas (10°21’21.0″S 46°31’55.0″W), onde o Rio Sono se junta ao Rio Formiga. É um bom local para banho. Ao lado tem mais um fervedouro, esse bem menor, mas com uma pressão ainda mais forte. Alí também pagamos R$10 por pessoa.

Poço do encontro das águas do Rio Soninho com o Rio Formiga no JalapãoFervedouro do Encontro das Águas no Jalapão

O almoço desse dia foi no Camping do Nô (10°20’14.0″S 46°31’15.0″W). O local é fantástico. É tipo um sítio, com um rio que passa no fundo e o fervedouro mais lindo que encontramos no Jalapão, o Buritizinho. Pequeno, mas com a água mais azul. O rio é ótimo para banho e uns “tchibuns”. Pagamos R$ 10 por pessoa para usufruir das atrações da propriedade e mais R$ 30 pelo almoço com comida caseira à vontade.

Comida disposta no fogão de lenha do Camping do Nô no JalapãoRicardo dando um tchibum no poço do Camping do Nô no Jalapão
Turistas no Fervedouro do Camping do Nô no Jalapão

Nesse mesmo dia também conhecemos o Povoado de Mumbuca (10°20’42″S 46°34’16″W), onde fica uma comunidade Quilombola. Alí as mulheres fundaram uma cooperativa para produção de peças feitas com o Capim Dourado. Um lojinha vende os itens diversos produzidos por todos da comunidade. Você encontra de tudo: brincos, colares, pulseiras, quadros, chapéu, bolsa, vasos e todo tipo de enfeite. Tudo feito com o capim dourado.

Criança quilombola em loja de artesanatos em Capim Dourado em Mumbuca no JalapãoLoja de artesanatos em Capim Dourado no Povoado de Mumbuca no Jalapão

No fim do dia fomos à Cachoeira do Formiga (10°20’01.1″S 46°28’14.1″W), uma das mais famosas do Jalapão. O local estava tão cheio, mas tão cheio, que era bagunça pura. Foi a taxa de entrada mais cara que pagamos (R$ 20) e não valeu a pena pela confusão do local. A cachoeira, no entanto, é linda. Azul, azul e com excelente espaço para banho. Deve ser uma delícia em um momento mais tranquilo.

Cachoeira da Formiga no Jalapão lotada de turistas

Nesse dia chegamos de volta ao nosso acampamento ainda cedo. Descansamos e a noite decidimos quebrar o protocolo e conhecer outro fervedouro, o dos Buritis (10°24’55.7″S 46°30’51.6″W), que fica perto de onde nos hospedamos.

A proprietária se mostrou um pouco assustada com a nossa ideia de entrar no fervedouro a noite, mas foi perfeito. Assim que chegamos, encomendamos a ela o jantar e seguimos para o fervedouro que finalmente seria só nosso. Levamos uma garrafa de tequila (iei iei iei iei) e ficamos alí só curtindo a lua e ouvindo o som dos sapos. 😛

A água é quentinha e esse é o fervedouro mais fundo e com o maior espaço para banho. Delícia, delícia. Quando cansamos, subimos e apreciamos a comidinha caseira que custou R$ 25 por pessoa.

Como só vimos o fervedouro a noite, só descobrimos a beleza do lugar posteriormente através desse vídeo do Youtube.

Dia 5

Acordamos na terça-feira de carnaval cedo (sem ressaca da tequila) e pegamos a estrada de volta rumo à Ponte Alta (10°44’39.8″S 47°32’14.7″W). A sugestão do guia para esse quinto dia seria acordar de madrugada, por volta de 4h da manhã e subir a Serra do Espírito Santo. São 800 metros de subida e 3km de caminhada no topo da Serra. Depois o mesmo caminho de volta. É preciso ir bem cedo para não ser castigado pelo sol. Não há sombra nenhuma pelo caminho e o risco de mal estar com o sol quente é altíssimo. Mas mesmo Oziel, nosso guia, afirmando que a vista lá de cima era fantástica, não animamos e só paramos no Canyon de Sussuapara (10°39’9″S 47°26’44″W).

Canyon de Sussuapara no JalapãoMosaico com fotos do Canyon de Sussuapara no Jalapão

Segundo o guia, no local antes tinha uma queda d’água e um poço, mas o proprietário da área mexeu nas proximidades e acabou assoreando. Hoje há paredões enormes de pedras com uma vegetação bem viva, acredito que pela água constante que escorre nas paredes. Tem um riachinho que passa no meio com bastante pedrinhas. Segundo a lenda, você deve pegar uma dessas pedrinhas e tentar encaixar em uma das frestas dos paredões. Fazendo um pedido, ele se realiza. Não a toa, há milhões dessas pedrinhas em pontos inacreditáveis das paredes. 😀

Pedra com formato de coração no Canyon de Sussuapara no Jalapão

Chegando em Ponte Alta, almoçamos e nos despedimos do Oziel. Como ainda estava cedo, seguimos direto para Brasília.

* Com a colaboração de Marcelo Lemos

Informações adicionais

Não deixe de ler também outros posts que publicamos sobre o Jalapão:

– 22 dicas para quem vai ao Jalapão por conta própria

– O planejamento de uma viagem ao Jalapão

De carro de Brasília ao Jalapão

Todas as atrações em um mapa

Abaixo colocamos como referência, em um mapa, todas as atrações que visitamos. E você pode usar também as coordenadas que indicamos ao longo do post para incluí-las diretamente no seu GPS.

E quem já foi ao Jalapão e quiser acrescentar algumas dicas, fiquem à vontade nos comentários!

Zarpo Viagens | Aguas Termais

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Comentários

  1. Parabéns Roberta, fico até emocionado em ser citado em um post tão rico em detalhes e detalhes corretos. Fico muito feliz em saber q fui útil à vcs. Abraços!!!!

    • Daniele
      21 jul 2016

      Oziel, boa tarde!

      qual o seu contato? Irei com algumas amigas minhas no feriado de Novembro.

      • Oi, Daniele. O contato do Oziel é o (63) 98424-5822

        Boa viagem!

  2. Beatriz
    12 jan 2017

    Olá! Gostaria de saber, se possível, quanto vocês gastaram nessa viagem levando em consideração a gasolina? Obrigada !

  3. Beatriz
    12 jan 2017

    Olá!
    Gostaria de saber, se possível, qual foi o gasto total de vocês incluindo gasolina?
    Obrigada!

    • OI, Beatriz. Incluindo todas as despesas, cada pessoa gastou R$ 1.600 em toda a nossa viagem, que começou na sexta, em Brasília, e terminou na madrugada de quarta. PS: ficamos em um hotel bem ruim e barato em Ponte Alta (R$ 60 noite/pessoa) e em um acampamento (com as barracas já montadas por eles) que custou R$ 50 por noite/pessoa em Mateiros. Esse valor inclui o valor do guia, a entrada dos passeios, aluguel do carro e gasolina.

  4. Elisabete Pandini
    16 abr 2017

    Olá! Adorei seu post. Por favor, onde conseguiram alugar o carro 4×4? Muito caro? Estamos pensando em alugar em Brasília e seguir para Chapada dos Veadeiros, lá deixar o carro e continuar com uma agÊncia da região. Agradeço seu compartilhamento de viagem e se puder me ajude com o contato do aluguel do carro. ABs

    • Elisabete,
      alugamos na BR22 (www.br22.com.br).Ela fica no setor hoteleiro norte.

  5. Pingback: O planejamento de uma viagem ao Jalapão | Across the Universe

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