Mochilão pela América do Sul: San Pedro do Atacama

O trajeto desde a fronteira da Bolívia até a cidade de San Pedro do Atacama, no Chile, foi especial para mim. O caminho é uma estrada asfaltada linda, repleta de vulcões de ambos os lados. Algo incrivelmente único. Já dentro da cidade, é necessário fazer a imigração. A gente desce com as malas, que passam por uma esteira de raio x e lá recebe o carimbo de entrada ao Chile. Achei a inspeção mais rigorosa que na Bolívia. Depois que todos receberam os carimbos, levamos novamente as malas para a van, que nos deixou no centro da cidade.

San Pedro do Atacama 1

Em San Pedro também não tínhamos reserva de hotel. Mas como o vilarejo é extremamente turístico, e serve de base para os passeios ao deserto do Atacama, o número de ofertas de hospedagem é muito grande e varia das mais simples até as mais requintadas, incluindo resorts de luxo. Foi fácil encontrar uma que coubesse no nosso orçamento. Como nos outros lugares, conseguimos fechar um quarto só para gente no Hostel Corvatsh, que era bem recomendado. Chegamos mais ou menos na hora do almoço. Depois de devidamente instaladas (e de banho quente tomado), fomos procurar um restaurante e dar uma volta na cidade.

 San Pedro do Atacama 2

Adorei o ar bucólico de San Pedro. O vilarejo é bem rústico, com poucas ruas asfaltadas, mas possui uma ótima estrutura, com diversos restaurantes e bares. Você vê turistas do mundo inteiro que chegam alí atraídos pelo deserto do Atacama, considerado o mais alto e árido deserto do planeta. A paisagem que circunda o local, cheia de vulcões, impressiona.

San Pedro do Atacama 3

Vale de la Luna e de la Muerte

No dia seguinte, já descansadas, fomos procurar pelos passeios mais recomendados da região. Há várias agências na cidade. Escolhemos a do próprio hostel (Agência Corvatsh – contato no final do post) para irmos ao Vale de la Luna e de la Muerte para vermos o pôr do sol. O passeio começa visitando uma caverna de sal e depois nos conduzem até o monumento de las Tres Marías (uma escultura de sal esculpida pelo vento). Então, fazemos uma pequena caminhada pelo Vale da Lua, que recebe esse nome pela semelhança da paisagem com o solo lunar.

Las Tres Marías | Mochilão pela América do SulEstrada pelo Vale de la Luna Vale de La Luna | Mochilão pela América do Sul

Após várias fotos, prosseguimos até o Vale de la Muerte e, por fim, fomos até o a parte alta, na Pedra do Coyote, onde é possível apreciar o maravilhoso e estonteante pôr do sol. A medida que ele vai se pondo, seus raios incidem diretamente sobre o vulcão Licancabur, conferindo uma mistura de cores maravilhosas. Certamente, mais um momento lindo da viagem. Depois do espetáculo do pôr do sol foi hora de voltar para a cidade. A van nos deixou no centro e ali mesmo comemos algo rapidamente e voltamos para o hostel.

Pedra del CoyoteO pôr do sol de Licancabur

Laguna Cejar e Tebinquiche

No terceiro dia, antes de partir para Arica durante a noite, fizemos mais um passeio no Deserto do Atacama. Dessa vez resolvemos ver o pôr do sol através do tour para a Laguna Cejar. Ele é oferecido por quase todas as agências. O passeio começa a tarde, por volta das 16h e termina às 19h30. Optamos pela Agência Vive Atacama, que era bem recomendada. Pagamos 8 mil pesos chilenos para a entrada ao Parque, mais 2 mil para cada Laguna (Laguna Cejar e Laguna Tebinquiche), com direito a pisco sour (algo como nossa cachaça, feita de uva, que o Chile e Peru brigam há anos pela sua autoria).

Laguna Cejar | 2

A primeira parada é na Laguna Cejar, considerada como o “mar morto sul-americano”, pois tem uma alta concentração de sal. Isso permite que você não afunde ao entrar na água. Estava bastante frio, mesmo assim não resistimos e fomos conferir. Me senti como se estivesse dentro de um congelador de tão fria que estava a água. Mas foi uma sensação maravilhosa. O vulcão Licancabur, ao redor, confere uma combinação e paisagem únicas.

Laguna Cejar | Mochilão pela América do Sul

Depois da Laguna Cejar, passamos rapidamente no Ojos Del Salar, dois pequenos reservatórios onde é possível fazer fotos bem legais no espelho d’água com os vulcões como plano de fundo. Também é possível nadar, sendo esses de água doce. Mas como estava um pouco frio, ninguém quis se arriscar.

Ojos del Salar

O ponto final do passeio é a laguna Tebinquiche. A planície de sal da Laguna, combinado com inúmeras poças de água, rende fotos espetaculares. Enquanto fazíamos as fotos, o pessoal da agência preparava as bebidinhas e petiscos, de frente a laguna, para acompanharmos o pôr do sol. Foi o pisco sour mais gostoso que tivemos a oportunidade de saborear durante toda a viagem. Posso definir a combinação pôr do sol + laguna + vulcão + pisco sour como perfeita e inesquecível. Voltamos do passeio imensamente maravilhadas.

A Laguna TebinquicheAs meninas na Laguna TebinquichePisco na Laguna Tebinquiche

Ao retornarmos, combinamos com o motorista da agência para nos deixar em frente ao terminal rodoviário. Alí pegamos o ônibus para Arica, da empresa Fronteira Del Norte. Saímos às 19h30, fizemos baldeação em Calama, onde aguardamos por cerca de 2 horas. Vimos que existe ônibus direto, mas não conseguimos achar passagem no dia. Chegamos em Arica por volta das 7h do dia seguinte.

Arica

Ficamos no hostel Arica Surf House, pois havíamos tido ótimas indicações dele e gostamos bastante. Arica era apenas nossa cidade base para a entrada no Peru, então um dia foi o suficiente para conhecê-la. A impressão é que é uma cidade de temporada. Como é litorânea e não estávamos no verão, a cidade estava bem vazia. Ainda assim, achamos lindíssima.

A praia de Arica | Chile O litoral de Arica

Jo, nossa amiga que ainda não conhecia o mar, pode enfim se encontrar com ele. Achei linda a primeira impressão dela e a forma como correu para molhar os pés. Numa leveza e felicidade sem tamanho. Tiramos o dia para andar na orla, sem muita pressa. Foi ótimo. Passamos a tarde tomando cerveja perto da praia e depois fomos às compras. O Chile tem uma rede de fast fashion muito boa.

Jo conheceu o mar em Arica

No outro dia pegamos um táxi do hotel até o terminal rodoviário. Ao lado, partem taxis credenciados que nos deixam em Tacna, já no Peru. Na fronteira é preciso fazer imigração. Primeiro na do Chile, onde recebemos o carimbo de saída e depois na do Peru, onde é preciso desembarcar com as malas para passar no raio x. Depois de receber o carimbo, o taxista nos levou até a rodoviária de Tacna. De lá partem ônibus a cada hora para Arequipa, nosso próximo destino.

Fronteira Chile-Peru (Arica-Tacna)

Agência Vive Atacama
Endereço: Toconao 435 A
San Pedro do Atacama, Chile.

Agência Corvatsh
Endereço: Calle Tocopilla 406
San Pedro do Atacama, Chile.

Informações adicionais

Esse post faz parte da série “Mochilão pela América do Sul: Bolívia, Chile e Peru“. Não deixe de conferir todos os outros posts publicados:

Mochilão de 25 dias pela América do Sul: Bolívia, Chile e Peru

A passagem por Sucre

A chegada em Uyuni

O primeiro dia no Salar de Uyuni

O segundo dia no Salar de Uyuni

-O terceiro dia no Salar de Uyuni

– Deserto do Atacama

Arequipa

Cusco e Machu Picchu

– Copacabana e La Paz




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11 Comentários para "Mochilão pela América do Sul: San Pedro do Atacama"

  1. Que legal!! Fui faz pouco tempo pro Atacama e amei (http://amandaqui.com/2015/04/07/dias-1-e-2-no-atacama/)! Muito bom rever!! Beijos, Amanda!

  2. plinio disse:

    ahhhh não continuou os post???? li todos e parou na metade… triste isso 🙁

  3. erika disse:

    ahhh pq parou de postar?

  4. Jessica disse:

    Eu fui mês passado para o deserto do Atacama e ao contrário do dito acima, não tive boas experiência com a agência VIVE ATACAMA! No passeio para o salar se tara eles mandaram um motorista que não sabia andar no deserto e que se perdeu.. Ele atolou 2 vezes e não sabia desatolar.. Sorte que outro carro de outra agência estava passando e ajudou.. Mas tivemos que ficar 3 horas carregando pedras para ajudar a desatolar o carro que só saiu quando o motorista da outra agência dirigiu. O carro não era 4×4 como nas maioria das outras agências e os guias são despreparados.. Nem água tinham no final da viagem e tivemos que dar a nossa! Quando chegamos de volta a cidade a dona da agência foi grossa e disse mal dos brasileiros..
    O deserto é lindo! Vale a pena! Mas não indico a agência que fui!

  5. Mariana disse:

    Olá!
    Que época do ano vocês foram?
    irei para o Atacama e Uyuni em maio e queria saber se é imprescindível levar um saco de dormir, pq não estava muito nos planos..

  6. Camila disse:

    Olá!
    Estou lendo todo o relato e usando de base para minha programação do mochilão, excelentes dicas!
    Apenas uma dúvida: gostaria de saber a distância e o tempo dessa saída do Salar até San Pedro de Atacama.
    Obrigada!
    Camila

  7. João Henrique disse:

    Polliana, quantos dias voce passou ao todo em San Pedro do Atacama?

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