Tour pelo Salar de Uyuni: 3° dia

Nesse terceiro dia, saímos do Hotel de Sal e o céu ainda estava escuro. Quando você percebe, já está dentro do Salar e o dia vai clareando e você vai vendo aquela imensidão. Lindo!

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Nosso motorista, Alcides, que havia se despedido da gente desejando boa noite e dizendo que estava indo se recolher às 20h, estava novamente dormindo ao volante. Quando os meninos nos alertaram, duvidei. Foi quando vimos a mão que segurava o volante caindo. Frustrante. Ainda apagou os faróis. Talvez achando que estava fazendo uma performance admirável para gente. Chamamos a atenção dele e ele se limitou a responder: Não passa nada! Justificando que ele poderia dirigir de olhos fechados que ainda estaria seguro no Salar. Aham…  Concluímos mais tarde que, provavelmente, Alcides foi para sua casa, em Uyuni, dormir com a família e voltou cedinho, pois o carro não estava no mesmo lugar que deixamos na noite anterior.

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Ao entrar no salar, logo paramos na Ilha Incahuasi, que é também conhecida como Ilha do Pescado. Para subir o morro que tem uma infinidade de cactus e observar o nascer do sol é preciso pagar 20 bolivianos (isso te dá direito a usar o banheiro). Passeio de índio para muitos, como eu. A subida é puxada, ainda mais com a altitude elevada. Não animei subir até o topo porque tava bem sofrido e também porque o sol nem nos deu o ar da graça. Fui só até a metade. O céu estava totalmente encoberto por nuvens.

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Descemos e o Alcides já tinha preparado o café no pé da serra, de frente para aquela imensidão de salar. Iogurte, cereais, leite, café, chá, pão, doce de leite e geleia.

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Comemos e, como o vento tava cortando, aproveitamos para nos aquecer e entramos no carro. Alcides cochilava enquanto assistia um filme dentro do carro. Assim ficou um bom tempo sendo que 4 de nós já estavam prontinhos dentro do carro. Os outros dois esperavam do lado de fora, já que sabiam que ele ainda tinha que recolher o café da manhã. Um bom tempo depois Alcides se cansa de assistir filme, levanta, começa a recolher os itens da mesa e questiona se não vamos tirar fotos no Salar. Agora? Não vamos parar depois?

Não.

Então ele sacou um mini dinossauro do porta luvas e nos entregou dizendo que era hora de fazermos as “fotos artísticas”. Juntou a tensão dele dirigindo sem farol no meio do deserto, com a folga dele dormir o tempo inteiro e a desconfiança de que ele tinha ido à Uyuni durante a noite… nessa hora eu fiquei puta! Ele não interagia, não participava, não ajudava, não ensinava. Só jogava as coisas para cima da gente. Custava avisar quando descemos do carro que aquela seria a única parada para fotos? Frustrados, descemos e tentamos, sem sucesso, tirar as “fotos artísticas”.

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O sol realmente não queria aparecer naquele dia. Estávamos em meados de abril. Não há espelho d’água nessa época. As imagens ficaram meia boca. Quando voltamos para o carro é que os australianos entenderam que era a parada para as fotos. Mas a essa altura, já estavam entediados e nem se moveram.

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Acho que percebendo o descontentamento de todos, Alcides parou mais uma vez no deserto uma meia hora depois. Mas já estávamos todos meio entediados e sem criatividade. Seguimos então para o primeiro hotel de sal, que fica no meio do deserto.

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Hoje o hotel já não funciona mais, pois poluía e produzia muito lixo. Hoje é só um museu com poucas coisas dentro e algumas referências ao Rally Dakar, que passa por alí.

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Quando paramos ele falou que ficaríamos alí por 1 hora. Mas não tinha muito o que fazer lá. Contestamos e ele disse que tínhamos horário para terminar o tour. Sério. Não tinha mais ninguém achando graça.

Depois fomos a uma feirinha de artesanato em um povoado. Tudo cronometrado. 15 minutos. Enquanto isso, ele dormia no carro. Um sono sem fim. Chegando em Uyuni, fomos até o Cemitério de Trens, onde tem um monte de trens enferrujados em uma área que mais parece um lixão a céu aberto.

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Ele nos deixou de um lado e falou que nos esperaria do outro para o almoço. Qual foi nossa surpresa quando chegamos do lado de lá e ele estava com o almoço pronto no porta malas do carro. Comemos em pé naquele ambiente com cheiro de urina e lixo por toda parte.

De volta a Uyuni, ele nos deixou na porta da agência para qual trabalha e ainda sugeriu que fizéssemos um relato sobre nosso passeio para eles exporem na parede da agência – todas fazem isso. Pensei: Melhor não, Alcides.

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O tour, que nos foi dito que terminaria às 17h do terceiro dia, terminou às 13h. Já tínhamos comprado passagem pela internet no ônibus direto para Sucre, mas ele só saia às 22h. Tentamos antecipar, mas não havia outro antes que ia direto. Então ficamos das 13h às 21h de restaurante em restaurante à procura de abrigo e wifi (estávamos há 3 dias sem comunicação). Às 22h partimos de Uyuni para Sucre.

Informações adicionais

Outros posts dessa série:

– Tour pelo Salar de Uyuni: o 1º dia

– Tour pelo Salar de Uyuni: o 2º dia

– 11 Coisas que você precisa saber antes de ir para a Bolívia

– Salar de Uyuni e Deserto do Atacama: qual a logística ideal?

– Deserto do Atacama e Salar de Uyuni: o que levar na mala?

Não deixe de ler também a série Mochilão pela América do Sul onde nossa amiga Analice Calaça conta com detalhes o seu tour pela Bolívia, Chile e Peru, incluíndo o Deserto do Atacama e o Salar de Uyuni.


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