Nosso Roteiro: Deserto do Atacama em 3 dias

A cidade base para um tour pelo Deserto do Atacama é San Pedro do Atacama. O local é simples, sem asfalto, mas é onde você encontra de tudo. Há hotéis e pousadas para todos os gostos e bolsos (Ficamos no Hostal Mirador, bem confortável e com bons preços – falamos mais sobre estes e outros hotéis da região aqui). No centro, tem lojas com as melhores roupas de frio e equipamentos para trilha, mercados, excelentes restaurantes e lanchonetes, casas de câmbio, farmácias, um caixa eletrônico, lojas de souvenirs e muitas agências de turismo.

Não é preciso fechar passeios antes de chegar na cidade. Ao chegar, basta fazer uma rápida pesquisa entre as inúmeras agências, verificar aquela que mais lhe agrada e fechar os passeios de todos os dias.  Fechamos com a Luna Turismo. Sem grandes problemas (fora o motorista sonolento do passeio do Salar – mas ele não é funcionário desta agência específica), mas também sem grandes maravilhas no serviço. Conseguimos negociar um desconto melhor e fechamos com eles. Podia pagar no cartão (com um bom acréscimo) ou em dinheiro (peso chileno, bolivianos os ou dólares).

Dia 1: Valle de La Luna

Chegamos pela manhã, fechamos com a agência, almoçamos e fizemos o primeiro passeio na parte da tarde. Começamos por um dos mais famosos: o passeio ao Valle de La Luna. Pagamos 7 mil pesos chilenos na agência e na entrada, eles cobram mais 3 mil pelo ingresso. O passeio começa às 16h, com a van te buscando no hotel e se encerra às 20h. Geralmente, nessa van tem pessoas que contrataram o passeio em diferentes agências. Essas empresas repassam os turistas para um motorista com um guia.

A guia falava todas as informações em inglês e espanhol. A primeira parada é em uma caverna onde você entra para ver os cristais de diferentes cores. Em alguns trechos o teto fica muito baixo. Pode ser um passeio meio assustador para quem tende a ser claustrofóbico. Depois fizemos uma caminhada pelo deserto até um morro de onde se tem uma visão belíssima da região.

É um silêncio total alí em cima. Momento de contemplação mesmo. Dalí se tem uma noção melhor das formações de areia, sal e rochas… tudo esculpido pela ação do vento e das águas – sim, tudo isso já foi o fundo do mar.

O trajeto até o alto é feito debaixo de um sol escaldante e, com a dificuldade de se andar na areia, o passeio exige um certo esforço. Demora uns 40 minutos entre ida e a volta ao carro.

Depois, fomos até o ponto que eles chamam de Três Marias. Particularmente, achei essa parte do passeio bem forçada. As Três Marias são três esculturas naturais que os guias insistem em dizer que tem o formato de uma mulher rezando, outra carregando o menino Jesus e a terceira curvada, arrependida (?).

Depois passamos por um ponto que eles chamam de anfiteatro para uma parada bem rápida para fotos. A melhor parte do passeio (na minha opinião) ficou para o final; a Pedra do Coiote. Nesse ponto se tem a melhor visão da região, combinado com o pôr do sol. É de se apaixonar mais uma vez pelo Chile. <3

O melhor seria se tivéssemos chegado um pouco mais cedo, mas isso só seria possível se estivéssemos de carro próprio, pois as vans chegam e saem ao mesmo tempo. Aí fica tudo lotado. Há, inclusive, uma fila para tirar foto na famosa Pedra do Coiote.

O ponto ganhou esse nome porque lembra o local onde o Coiote (do desenho animado) esperava o Papaléguas para mais uma armadilha. A pedra parece estar suspensa em um paredão.

Dia 2: Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas

Nesse segundo dia fizemos o passeio de um dia inteiro para as Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas que custou 35 mil pesos chilenos na agência + 5,5mil pesos para o ingresso. Nesse valor já estão inclusos o café da manhã e o almoço. A van nos buscou no hotel cedinho. O motorista já era o guia. O passeio começou bem cedo e antes mesmo da parada para o café da manhã, conhecemos o primeiro povoado, a 40 km de San Pedro. Toconao mais parece uma pequena aldeia. Visitamos a igreja – que é cercada por cactos – e a pracinha. Depois paramos no meio da estrada, em uma espécie de cânion.

As paisagens são maravilhosas. No caminho, o guia foi dando explicações sobre a vegetação, os animais (dá para ver muitos) da região, curiosidades e até lendas.

Em um determinado ponto do passeio, o guia fez uma proposta indecente e os outros turistas que estavam com a gente (e em maioria – um grupo de uns 12) concordaram. Eu não entendi nada e só mais na frente me explicaram. Ele disse que as Lagunas Altiplânicas eram muito semelhantes às que veríamos no Salar de Uyuni. Como todos, após o Atacama, seguiriam para o Salar, ele recomendava que a gente pulasse a parte das lagunas e fosse direto para as Piedras Rojas. Em troca, ele nos levaria em um lugar menos turístico e cheio de energia que ele gostava de levar pessoas especiais. Logo vi que era latada, mas democracia é isso, né? :/

Mas eu fiquei emocionada só de conhecer as Piedras Rojas. Com certeza é um dos pontos altos do Atacama.

Você fica sem palavras diante de tamanha beleza. Que paisagem!

As pedras vermelhas contrastam com o tom verde caribe das águas e o céu azul infinito.

Nesse momento você só quer apreciar aquilo tudo, colocar em uma caixinha – ou no coração mesmo – e guardar para sempre aquelas imagens.

Após o almoço – que foi no mesmo restaurante simples, porém de comida deliciosa, que paramos no café da manhã – fomos até o Salar do Atacama, onde fica a Laguna Chaxa. Nesse ponto dá para observar a movimentação dos flamingos, mas eles estavam bem longe e quase sempre com o bico dentro d’água.

Ao lado você observa o terceiro maior salar do mundo. Aqui não dá para pisar, pois o sal forma cristais que podem furar o seu pé. O calor é escaldante. Por isso é importante se organizar com roupas em camadas, pois cedo fazia bastante frio.

Foi nas proximidades, depois de conhecermos o salar chileno, que nosso guia nos levou no tal “lugar especial” que nos prometeu. No meio da longa e desastrosa caminhada, eu desisti. Odeio programa de índio, confesso. Ele vinha com uns papos de energia não sei de que e eu só sentia o sol me queimando e as costas doendo pelo percurso de descidas e escaladas. Esperei eles debaixo da sombra de uma árvore e na volta, muitos disseram que a minha ideia foi a melhor. O guia os levou para um local onde, segundo ele, eram feitos sacrifícios há muitos anos. Não entendi bem, mas dizia que era uma região onde viveram povos antigos.

O caminho e o tal “lugar especial”

O passeio terminou em San Pedro antes de escurecer.

Dia 3: Laguna Cejar e Tebinquiche

No terceiro dia descansamos pela manhã e só na parte da tarde é que fizemos o passeio para as lagunas Cejar e Tebinquiche. Esse nos custou 17 mil pesos chilenos (+2 mil para o ingresso da Laguna Cejar) e só terminou de noite. O tour começa pela Laguna Cejar, que tem alta concentração de sal (400gr por litro de água), como no Mar Morto. O banho é liberado e, quando você entra, nem com muito esforço você consegue afundar. A água é verdinha e enquanto você boia, aprecia o vulcão Licancabur ao fundo. É uma experiência fantástica.

A água é até quentinha, porque normalmente esse tour é feito no fim da tarde. Os guias alertam inúmeras vezes quando chegamos no local, então já adianto: aconteça o que acontecer, não deixe a água atingir seu olho. Vai arder para caramba! É tanto sal que as bordas da lagoa ficam cheias de sal cristalizados que podem, inclusive, cortar seu pé. Quando você sai da água é um desconforto imenso. Você fica por entender como consegue juntar tanto sal em um banho tão rápido.

Da lagoa até os banhos públicos disponibilizados pelo parque tem uma caminhadinha rápida, mas é bom levar toalha – por causa do frio – e chinelo – para não cortar os pés nos cristais de sal. Não ouse vestir qualquer peça de roupa sem antes tirar o sal do seu corpo. Ela vai ficar imunda, dura, inutilizável antes de uma boooooa lavada. Aliás, se puder evitar molhar o cabelo também, será ótimo. Se molhar, mesmo com algum esforço, ele ainda vai passar uns dias bem duro.

De volta ao carro, seguimos para os Ojos del Salar, que nada mais é que dois grandes buracos com água doce. Aí eles liberam (ou melhor, incentivam) uns jumps e a galera faz fila para se jogar na água gelada. Aviso: se não tiver toalha seca, não invente de pular.

Dalí seguimos para a Laguna Tebinquiche, onde tomamos um pisco sour e comemos alguns petiscos apreciando o pôr do sol. A tebinquiche é uma enorme lagoa de sal. A cor da água fica diferente com o sol se pondo e a paisagem fica ainda mais atraente com o vulcão Licancabur se exibindo alí atrás.

E foi com essa paisagem que terminamos nosso roteiro no Deserto do Atacama. No outro dia seguimos bem cedo para o Salar de Uyuni.

Informações adicionais

Não deixe de ler todos os outros posts que publicamos sobre essa viagem:

– Tour pelo Salar de Uyuni: o 1º dia

– Tour pelo Salar de Uyuni: o 2º dia

Tour pelo Salar de Uyuni: o 3º dia

– 11 Coisas que você precisa saber antes de ir para a Bolívia

– Salar de Uyuni e Deserto do Atacama: qual a logística ideal?

– Deserto do Atacama e Salar de Uyuni: o que levar na mala

– Tour Atacama e Salar: onde se hospedar

Não deixe de ler também a série Mochilão pela América do Sul onde nossa amiga Analice Calaça conta com detalhes o seu tour pela Bolívia, Chile e Peru, incluindo o Deserto do Atacama e o Salar de Uyuni.

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Comentários

  1. Deve ser um lugar lindo e desafiador! As rochas formam uma paisagem marciana.

  2. DEMETRIUS ROCHA
    03 maio 2017

    O dinheiro é boliviano ou peso chileno?

    • OI, Demetrius. A moeda local é o peso chileno. Eles aceitam dólares tbm e em alguns lugares o boliviano tbm é aceito, embora pouco valorizado.

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