Pirenópolis: Visitando a Cachoeira do Rosário

A Cachoeira do Rosário foi um achado. Digo isso pois nunca a teria encontrado se não fosse uma série de fatores que aconteceram na minha vida na semana que antecedeu ao sábado que a visitei pela primeira vez. Explico. Meu carro foi parcialmente roubado em Brasília em uma quarta-feira. Cansado e estressado com todos os trâmites burocráticos que envolvem uma situação como esta, decidi que naquele final de semana eu não retornaria à Brasília, como é de costume, e muito menos iria para Goiânia. Acordei cedo, olhei pro céu não muito claro e decidi mesmo assim sair sem rumo com minha câmera para fotografar a região onde atualmente trabalho e moro, o Vale do São Patrício, interior de Goiás. Um dia escrevo um post contando um pouco dessa minha nova vida interiorana. 😀

A estrada

Enfim, eu precisava desestressar. Olhei no meu mapa rodoviário (de papel!) do guia 4 rodas que carrego sempre no porta-luvas e encontrei uma estrada ainda não totalmente asfaltada (alô governador!) e que liga Goianésia a Pirenópolis, a GO-338. Por essa estrada, eu chegaria na famosa cidade histórica 75 km depois. Se fosse pelo caminho totalmente asfaltado a distância seria maior, 110 km.

Meu espírito off road e a vontade de comer um arroz com pequi no Restaurante Pedreiras (escreverei sobre ele posteriormente) falaram mais alto. E eu ainda estava com o carro reserva da seguradora, que é bem mais alto que o meu. Enfim, com os planetas alinhados, cai na estrada.

GO-338 | Aventura Off Road

A estrada é relativamente tranquila. São 35 km de chão até o distrito de Goianópolis (mais conhecido como Malhador), já no município de Pirenópolis. Deste ponto em diante a rodovia segue pavimentada.

O rolé em Pirenópolis

Depois de matar a saudade de um arroz com pequi e de dar um rolezinho pelo centro histórico de Pirenópolis, peguei a estrada de volta.

Centro Histórico de Pirenópolis

A cachoeira

Voltando pelo mesmo caminho, vi várias placas falando sobre a tal Cachoeira do Rosário. Alguns quilômetros antes do Povoado de Placa, 26 km depois de Pirenópolis, uma placa maior indicava a entrada. Passei direto e um súbito pensamento veio: “E se eu tomasse um banho de cachoeira daqueles de lavar a alma?“. Retornei!

Placa da Entrada da Cachoeira do Rosário

Mas estes 9 km de estradas são terríveis. Por várias vezes pensei em desistir. O tempo fechou, começou a chover. E eu pensando: Vou ou não vou? E pra piorar eu ia encontrando vários carros no sentido contrário, indicando que já não era hora de ir e sim de voltar. O tempo abriu e decidi insistir mais. E o proprietário do atrativo que não é nada bobo, colocou várias placas de incentivo no caminho e, principalmente, nos pontos mais difíceis. Tudo para que ninguém desista. Comigo funcionou. 😀

Cachoeira do Rosário | Estrada difícil

Depois dos 9 km mais longos da minha vida, cheguei a propriedade. Já eram 17h e estava encerrado o horário de visitação. Sensibilizados com a minha saga até chegar ao local, Demócrito e Alexandre, respectivamente pai e filho, proprietários do lugar, permitiram a minha entrada. Era horário de verão e o dia ainda estava longe de acabar. Da taxa de 35 reais para passar o dia, Demócrito autorizou um desconto e paguei somente 15 reais para ficar das 17 até as 18h30m.

Cachoeira do Rosário | Horário de Funcionamento e Cajado

Sem perder muito tempo, peguei o cajado fornecido e recomendado por eles, e fui ladeira abaixo por uns 500m de trilha, até uma piscina natural fantástica de 4 metros de profundidade. Não havia mais ninguém no local. Tudo aquilo era só meu. O calor escaldante e a água geladinha me convidaram para um banho daqueles de lavar a alma e levar embora todo o stress acumulado na tensa semana.

Cachoeira do Rosário | Piscina Natural

Minha vontade era de ficar ali pra sempre, flutuando, calangando ou, como dizem nós goianos, morgando naquela água revigorante. Mas ainda tinha que conhecer a estrela principal do lugar e que dá nome ao atrativo, a Cachoeira do Rosário. Essa piscina natural é formada acima dela, antes dos 42 metros de queda.

Cachoeira do Rosário | Trilha

Dei a volta pela trilha e alguns metros dali, encontrei a dita cuja, também sozinha, esbanjando simpatia e tranquilidade, me convidando para outro banho gelado. 😉

Cachoeira do Rosário | Pirenópolis

Alí eu fiquei o resto do tempo que me era permitido, já que a vontade era de ficar pra sempre. Mas dai lembrei que tudo aquilo estava tão próximo da minha nova casa (exatos 56 km), que eu poderia voltar sempre que desse na telha. E foi o que acabei fazendo. Aproveitando a visita dos meus amigos Wilton Oliveira (que já escreveu aqui sobre sua aventura em Cavalcante) e Juliane Marie, que já eram antigos frequentadores do lugar, planejamos o retorno.

O retorno

Dessa vez a aventura off road foi completa. A bordo do Percheron (a Pajero TR4 4×4 do casal) seguimos pela mesma estrada que antes eu percorri com um carro normal. Era tudo que eu precisava para entender definitivamente que eu tinha o carro errado para a fase atual da minha vida, e que precisava de um carro como aquele, para me aventurar e explorar o Brasil, principalmente o meu estado de Goiás.

Enfim, aguardem cenas dos próximos capítulos. 😉

Dessa vez, paguei a tarifa cheia: 35 reais para passar o dia e + 35 reais pelo almoço. R$ 70 ao todo. Achei o preço total bem salgado. É o mais alto entre todas as cachoeiras da região de Pirenópolis. Uma forma de segregar o público, evitar multidões de visitantes e preservar o local? Talvez. Mas na minha opinião o lugar já é longe e de difícil acesso o bastante para que isso ocorra naturalmente. O preço poderia ser melhor.

O estacionamento estava cheio. Tivemos a sensação de que encontraríamos a cachoeira e a piscina natural cheia de gente dando saltos mortais, tocando violão, bebendo cerveja, falando alto, crianças correndo… mas acredite! Não tinha nada disso. As pessoas se esparramam e a propriedade acaba comportando todo mundo com bastante conforto. E segundo eles, a quantidade de visitantes é limitada por dia.

Cachoeira do Rosário | A entrada

Desta vez, com mais tempo e com o Wilton que já conhecia bem o local, explorei além dos limites da propriedade. E no final do dia, o Chicão, funcionário da Cachoeira do Rosário, depois de cumprir suas obrigações na cozinha, nos guiou e subimos o rio acima. Encontramos mais quedas e mais piscinas naturais fantásticas e muito bem preservadas.

E essa aventura rio acima significou ter que caminhar a maior parte do tempo dentro d’água e até escalando essas cachoeiras das fotos. Experiência única! Nessa hora eu desejei muito ter uma GoPro presa na cabeça registrando tudo.

Clique nas imagens para ampliar

 

Almoço

O almoço é servido a partir das 14h. A comida é tipicamente goiana e feita no fogão de lenha. É boa e simples, não espere nenhum banquete. As bebidas são vendidas a parte e com preços tão salgados quanto os cobrados pela entrada. Se você já está acostumado à culinária goiana, não será nenhuma novidade. Sugestão? Economize os 35 reais do almoço, tomando um café da manhã reforçado antes de ir e, embora não seja permitido, levando algum lanche frio na mochila: sanduíche natural, uma fruta ou um pacotinho de biscoitos. Só não esqueça de levar o seu lixo de volta.

Cachoeira do Rosário | Almoço

Depois do almoço, você pode escolher entre comer um queijo com goiabada de sobremesa, tomar um café quentinho, uma cachaça (da boa!) ou todas as opções anteriores e logo depois um cochilo na rede. Há um redário instalado no mezanino do restaurante, com vista para o Vale do São Patrício

Cachoeira do Rosário | Redário interno

… e outro no jardim externo.

Cachoeira do Rosário | Redário externo

Considerações finais

A Cachoeira do Rosário, entre todas as que conheço em Pirenópolis, é a mais bonita, agradável e a que oferece a melhor estrutura. É um lugar especial, perfeito para um final de semana de descanso e desapego tecnológico, já que não há sinal de celular para falar e muito menos usar Internet. Aliás, não há sequer eletricidade. Tudo o que você ouvirá será a cantoria dos pássaros, das cigarras, o correr das águas, o coaxar de sapos … e nada mais!

Informações adicionais

Se você está hospedado em Pirenópolis ou não quer enfiar o seu carro na estrada de chão, pode contratar o serviço de transporte deles. Uma van sai as 10h e retorna as 17h. É necessário fazer reserva, já que as vagas são limitadas a 9 pessoas. Eles te buscam e te entregam em qualquer ponto da cidade. O custo deste transporte + entrada + almoço + guia = R$ 120,00.

Principais distâncias

Goiânia: 152 km
Brasília: 185 km
Pirenópolis: 35 km

Coordenadas GPS:  S15º42’39.7″   W48°59’29.8″

Contato

Rômulo Augusto: 62 98417-6565
Lurdinha: 62 98418-8349

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Comentários

  1. Pingback: Pirenópolis: Cachoeira das Araras é opção de fácil acesso

  2. Bom Dia,

    Meu nome é Rômulo, sou o novo proprietário da Cachoeira do Rosário, gostaria de um favor seu, atualizar o telefone de contato da cachoeira:
    Rômulo Augusto: 62 98417-6565
    Lurdinha: 62 98418-8349
    aproveito para convidá-lo a nos fazer uma visita, também eramos turistas do Demócrito e apaixonados pelo local.
    Hoje a estrada esta muito boa, carros pequenos chegam com muita facilidade.
    depois de alterada as informações de contato tem comigo cortesias de duas entradas no valor de R$45,00 cada.

    atenciosamente,
    Rômulo Augusto

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