Quando eu decidi viajar sozinha

Era setembro de 2016. Eu tinha acabado de terminar um relacionamento longo e pegado alguns trabalhos temporários que iriam me render uma boa grana. Viajar sempre foi uma coisa que gostei muito de fazer. Mas, viajar sozinha era algo que vagava no limbo do meu cérebro, como aquele tipo de coisa que você tem muita vontade de fazer, só que um dia, talvez quando aposentar. Enfim, foi nesse período que eu me decidi: usaria as próximas férias para viajar sozinha. E o destino não seria perto. Eu iria pra Europa. Muita gente tem o sonho americano de conhecer a Disney, Miami ou Nova York. Mas, eu não. Eu queria mesmo era conhecer a Europa e só tinha a certeza de um lugar: Itália.

Sempre fui encantada por aquele país, a culinária, o idioma e as pessoas. O primeiro passo, lembro como se fosse hoje, foi olhar as passagens. Pesquisei trechos de ida e volta para algumas cidades e os mais baratos foram para Milão. O interessante é que Milão não estava na minha rota de cidades que queria conhecer, mas por conta da passagem passou a ser.

Criei coragem e comprei as passagens. Bilhetes em mãos, ops, no e-mail, era a temida hora de contar sobre isso para alguém. Peguei o telefone e liguei para minha mãe.

Tô indo para Europa sozinha.

Ela, que sempre me incentivou a ser livre e a realizar todos os meus sonhos, ficou um tempo calada, como se não tivesse acreditando e soltou:

– Tem certeza? É muito perigoso!!!

Convencê-la de que ia dar tudo certo, de que esse era meu sonho e de que eu não iria desistir, foi fácil. Difícil havia sido apertar aquele botão para emitir os bilhetes, mas fui forte.

Daí por diante caiu minha ficha. Passei a devorar tudo que via pela frente na internet, relatos de mulheres que viajaram sozinhas pela Itália, roteiros, passeios, segurança e depois de muito ler, decidi que faria tudo por conta própria. Não contratei nenhuma agência. Optei pelo seguinte roteiro: Milão, Veneza, Roma, Londres, Varese e Milão de novo. Como havia dito, estava definido que ficaria só na Itália, porém, conversando com uma amiga, ela me disse que viajar de um país para outro na Europa era muito barato. Foi aí que meus olhinhos brilharam e decidi acrescentar um país a mais na minha aventura.

Estava em dúvida entre Paris, Londres e Dublin. Acabei decidindo pela cinza cidade britânica. Ótima escolha por sinal. Farei um post especial sobre lá. Então, com tudo definido, faltava a melhor parte, reservar os lugares onde iria ficar e o meio de transporte de uma cidade para outra. Optei por me hospedar apenas em albergues (farei um post sobre isso também), tanto pelo preço que é mais baixo, quanto pela possibilidade de conhecer novas pessoas. Afinal, eu seria uma viajante solitária. Como meio de transporte de um lugar para outro, optei sempre pelo mais barato, tanto que andei de trem, ônibus e avião.

Enfim, minha decisão de partir para o velho mundo não foi precipitada. Meu desejo de sair perambulando por aí sozinha era antigo, mesmo isso sendo o maior desafio da minha vida. Só para contextualizar, cresci numa cidade de 15 mil habitantes, no interior de Goiás e o mais longe que ia quando criança era Caldas Novas com minha família. Claro que depois que cresci fiz algumas viagens legais, mas sempre acompanhada por amigas, família ou algum namorado. Mas, nenhuma de fato sozinha.

Não posso negar que me inspirei em várias pessoas. Amigas próximas que moraram sozinhas por um tempo em outros países, conhecidos que preferiam a própria companhia na hora de viajar e uma pessoa muito especial que me fez tomar coragem e decidir a me aventurar por aí; a blogueira Amanda Noventa. A cada texto dela que eu lia, ficava mais encantada com a possibilidade de ir para um lugar e ter que me virar 100% sozinha. Ela já fez viagens incríveis para o Uruguai, México, Bolívia, África do Sul e etc e registrou tudo tanto em sua Coluna no Estadão quanto em seu blog. Segue alguns textos dela que me inspiraram:

5 sinais de que é hora de você viajar sozinho

Fui viajar sozinha e encontrei o amor 

Dicas de segurança para quem viaja sozinho 

Então, meu conselho para quem quer viajar sozinha e por algum motivo não vai, por medo, ou por achar que pode não ser tão divertido (ou até mesmo solitário) é: vá! Se der medo, vai com medo mesmo. Eu fui e não me arrependi. Na verdade, já estou ansiosa pela próxima viagem.

*Ludmilla Morais tem 25 anos, é jornalista, goiana, capricorniana e muito curiosa. Viajar faz parte do que ela é. Recentemente descobriu uma forma ousada de se aventurar: sozinha.

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Comentários

  1. Oii Ludmilla, que post inspirador. Também amo viajar e sempre estou embarcando me mais uma viagem, seja para perto ou para longe, mas sozinha mesmo nunca fui. Estou planejando uma viagem sozinha para o ano que vem e penso que será uma ótima experiência. Eu já era doida para conhecer a Itália, após ver as fotos de sua viagem fiquei com mais vontade ainda.

    http://www.larydilua.com

  2. Pingback: Viajando sozinha: como ir de uma cidade para outra na Europa | Across the Universe

  3. Pingback: A dor e a delícia de se hospedar em albergues pela Europa | Across the Universe

  4. Sua mensagem é inspiradora, nunca viajei só mais me programar para isso, sempre fui medrosa, mas depois que consegui pular de pendulo pela primeira vez na vida tenho me desafiado, consequentemente viajar só será minha nova experiência e ultrapassar meus limites.

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